Pacientes que já contraíram dengue temem nova contaminação

07 abril, 2013


O maior temor de quem acabou de se recuperar de uma contaminação pelo vírus da dengue é contrair a doença novamente. A causa principal do medo é a intensidade dos sintomas, que duram em média sete dias, mas devastam o organismo do paciente.
dengueminas
Enquanto lutam contra o mal, os infectados têm de lidar com as dores que atingem todo o corpo, uma febre que só cessa com medicação e com total prostração, que leva à perda de apetite e à vontade de não deixar a cama. Há casos em que, mesmo depois de o vírus ser combatido por meio de tratamento médico e repouso, o desânimo permanece por alguns dias.

“Até hoje não estou totalmente recuperada”, reclama Cláudia Jeber Handan, de 64 anos, moradora do Sion, Região Centro-Sul de BH. Ela contraiu a doença no início de março e teve de ficar internada por 10 dias. A intensidade dos sintomas fez com que os médicos desconfiassem de outras doenças. “Nos primeiros dias, desmaiei duas vezes. Tive muita dor de cabeça, a ponto de querer sair gritando”, lembra a dona de casa. Diante das reclamações, que incluíam dores nas pernas, falta de apetite, enjoo e boca seca, os especialistas solicitaram uma série de testes laboratoriais. Foram feitas tomografias, exames de urina e de sangue, até que se chegou ao diagnóstico: dengue. A falta de apetite a impedia de comer, o que só piorava o desânimo. “Até tentava fazer alguma coisa em casa, mas só pensava em deitar.”
No Betânia, na Região Oeste de BH, uma família inteira foi contaminada pelo vírus transmitido pelo Aedes aegypti em uma única semana. Vanda Maria Evaristo e as três filhas, de 16, 17, e 23 anos, foram picadas pelo mosquito e tiveram de conviver com os sintomas por até 12 dias. Vanda conta que teve de deixar de lado os afazeres domésticos no período em que ficou doente. “Sentia muita dor de cabeça, tremia e tive febre. Queria cuidar das minhas filhas que estavam doentes, mas não conseguia fazer nada”, diz. Mesmo depois de confirmado o diagnóstico de dengue, ela teve de continuar fazendo exames, já que testes indicaram um número de plaquetas muito abaixo do normal. A dona de casa ficou cinco dias acamada, assim como as filhas. “Quando ia ao posto de saúde para a consulta médica, tinha de parar várias vezes no meio da rua para me sentar por causa das dores que eram insuportáveis”, relembra a mulher, que disse ter se surpreendido com a força do vírus contra o organismo e teme ser vítima do mosquito novamente. “Pensei que fosse uma doença mais branda. Só quem tem dengue sabe o quanto é ruim”.
Descaso
Para o engenheiro aposentado Jésus Fernandes de Miranda, de 78, o pior efeito da doença contraída no mês passado foi o desânimo. Acostumado a caminhar todos os dias por pelo menos uma hora, ele percebeu que algo estava errado ao se sentir indisposto. “Sou uma pessoa ativa, mas perdi o ânimo para sair. Quando tentei fazer caminhada, comecei a suar muito e vi que não estava bem”, relembra. A prostração veio acompanhada de febre e dores no globo ocular, nas articulações e no corpo. “A doença mexeu com meu ritmo de vida”, reclama Jésus, que critica a falta de atenção ao paciente nos centros de saúde. “Fui ao Hospital Odilon Behrens e não deram atenção aos sintomas que relatei. Depois de conferirem meus sinais vitais, medirem pressão e ver que eu não tinha febre disseram que eu estava bem e não precisava de atendimento médico. Nem passei da triagem. No entanto, os exames que fiz em um laboratório particular confirmaram a dengue”, relata.
Os sintomas que tanto debilitam as vítimas da dengue clássica são resultado de um processo infeccioso, conforme explica a infectologista da Faculdade de Medicina da UFMG, Marise Fonseca. Segundo ela, quando o mosquito injeta o vírus no indivíduo por meio da picada, começa imediatamente uma resposta do sistema imune. A febre, as dores e todas as complicações da doença ocorrem devido a uma reação muito intensa do organismo, que sofre uma inflamação generalizada. “É um quadro agudo e rápido, que dura em média uma semana, mas os efeitos podem ser percebidos durante até 30 dias, já que todo o corpo sofre”, esclarece.
Foco de mosquito, piscina será aterrada
A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) decidiu que a piscina localizada na antiga sede da Associação Mineira de Paraplégicos (AMP) será aterrada para evitar acúmulo de água. O imóvel, que fica na Avenida do Contorno, no Bairro Santa Efigênia, Região leste da capital, é alvo de reclamações de moradores há pelo menos dois anos. Eles temem que o reservatório de água instalado no quintal se transforme em mais um criatório do mosquito Aedes aegypti na cidade, que até a semana passada já registrava pelo menos 5.760 doentes e dois mortos em decorrência da dengue, segundo o último balanço da Secretaria Municipal de Saúde. Ainda não há previsão para que a piscina seja coberta por terra.
A piscina fica em um terreno da prefeitura. Ele havia sido cedido pela administração municipal para a AMP na década de 1980, mas em 6 de março um decreto publicado no Diário Oficial do Município (DOM) rompeu o contrato de concessão de uso. De acordo com a Regional Leste da PBH, o endereço vem sendo alvo de denúncias por focos de dengue há bastante tempo e já foi notificado e multado. Em uma ocasião, a Vigilância Sanitária entrou na casa com apoio da Polícia Militar para garantir o tratamento dos focos.
Segundo a assessoria de imprensa da PBH, no dia seguinte à revogação da concessão, uma equipe de controle de endemias foi até o local para jogar larvicida em todos os locais que pudessem acumular água dentro do imóvel. Durante o trabalho, teria sido jogado produto suficiente para combater as larvas do mosquito por dois meses. A PBH informou ainda que outra equipe foi à casa ontem para fazer a limpeza da piscina e retirou toda a água acumulada. No entanto, a piscina não foi coberta para evitar que a água da chuva fique represada até que o local seja aterrado.
Reunião
Hoje, o governador Antonio Anastasia participará, às 10h, de reunião do Comitê Gestor Estadual de Políticas de Enfrentamento à Dengue, no Palácio Tiradentes, na Cidade Administrativa. Com informações do Estado de Minas.

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