Cidade mineira diz que controla mortes da COVID-19 com kit de medicamentos

26 novembro, 2020

 A Prefeitura de Janaúba, de 72,01 mil habitantes, no Norte de Minas, adotou uma combinação de medicamentos usados no tratamento dos sintomas iniciais da COVID-19, distribuídos gratuitamente. A municipalidade diz que os remédios são distribuídos de acordo com protocolo do Ministério da Saúde e anuncia que, com o uso do 'kit', conseguiu controlar o coronavírus e frear as mortes provocadas pela doença na cidade.

Janauba adota kit de medicamentos para combater a COVID-19

Mas o coquetel de medicamentos, no qual estão incluídos a hidroxicloroquina e a ivermectina, provoca polêmica. Enquanto o prefeito de Janaúba, Carlos Isaildon Mendes (PSDB), comemora que, com a adoção do 'kit' a prefeitura conseguiu 'estancar' as mortes provocadas pela COVID-19, o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Estêvão Urbano, afirma que não há evidências científicas da eficácia das drogas no combate à enfermidade. Desta forma, ele disse a entidade não recomenda o uso das drogas no tratamento do coronavírus.


De acordo com uma médica da Secretaria Municipal de Saúde de Janaúba, os pacientes com sintomas gripais, como febre, tosse, coriza, cefaleia, mialgia e diarreia são encaminhados em um serviço de enfrentamento da COVID-19, instalado em Unidade Básica de Saúde (UBS) da cidade.

“Nesse local, os pacientes são triados pelo enfermeiro, notificados para síndrome gripal e passam por avaliação médica. Pacientes com história sugestiva de sintomas gripais são guiados pelo protocolo do Ministério da Saúde de tratamento da COVID-19 na atenção básica", informou a profissional.

"Na unidade, temos as medicações indicadas pelo protocolo do Ministério da Saúde: hidroxicloroquina, azitromicina, sulfato de zinco, dexametasona ou prednisona e sintomáticos, como paracetamol, dipirona, metoclopramida, soro fisiológico nasal. Dispomos também de tamiflu e amoxicilina com clavulanato para casos necessários. A vitamina D e a ivermectina são analisadas pelo médico para a indicação da prescrição e na dosagem apropriada", explicou.

"As medicações são prescritas para pacientes que têm sintomas gripais, salvo contraindicações, depois a realização de um ECG (ecocardiograma) na própria unidade para acompanhamento de intervalo cardíaco QT (medida da frequência dos batimentos do coração)", revelou a médica de Janaúba, lembrando que a prescrição dos medicamentos para o tratamento dos sintomas na COVID-19 é feita com o consentimento dos pacientes.

O prefeito de Janaúba, Carlos Isaildon Mendes, comemora os resultados do 'kit' de medicamentos, e diz que o município conseguiu controlar o avanço da doença e interromper os óbitos.

Ele faz uma comparação entre a situação de Janaúba e o cenário de Montes Claros (413 mil habitantes), cidade-polo do Norte de Minas. "Em 24 de julho, Janaúba tinha 12 mortes (causadas por coronavírus) e Montes Claros tinha aproximadamente 20 (óbitos decorrentes da Covid-19). Janaúba, hoje, tem 16 mortos (devido à COVID-19) e Montes Claros, salvo maior juízo, passa de 160 mortes (provocas pela doença)”, afirma Isailson.

"Isso foi (devido às) ações que nós fizemos, incluindo a abertura de uma UBS exclusiva para o tratamento (da COVID-19), direcionando todos os pacientes que chegam lá e saem com um kit de medicamentos. Isso estancou a doença e os números estão aí", ressalta o chefe do executivo municipal.

"Aqui, nós abrimos a UBS exclusiva (para o tratamento da doença). Adotamos o protocolo, os medicamentos.... Azitromicina, hidroxicloroquina, zinco e outros. Acabou! Recuperamos (os pacientes). Não se fala praticamente (mais) em COVID (-19) aqui em Janaúba", comenta Isaildon Mendes.

Ele argumenta ainda que as mortes de pacientes com o coronavírus registrados no município, depois de 24 de julho 'foram de pessoas idosas e de outras com comorbidades'.

Reportagem do Estado de Minas publicada em 22 de junho, registra que, na ocasião, Janaúba havia se tornado a cidade do Norte de Minas com maior incidência da COVID-19 em termos proporcionais. O boletim da Secretaria de Saúde do Município daquela data apontava que o município já registrava 184 casos, então apenas quatro registros a menos do que os 188 pacientes registrados em Montes Claros, cidade-polo da região, cuja população é quase cincos vezes maior Janaúba.

Na ocasião, Janaúba somava três óbitos causados pelo coronavírus, enquanto em Montes Claros já havia a confirmação de três mortes decorrentes da doença respiratória.

De acordo com o ultimo boletim da Secretaria de Estado de Saúde, de quinta-feira (29), Janaúba tem confirmadas 16 mortes e 1.118 casos de COVID-19. Já Montes Claros tem 170 óbitos confirmados e 10.791 casos de coronavírus, diz o boletim da SES.

Sem comprovação científica


O presidente da Sociedade Mineira de Infectologia (SMI), Estêvão Urbano, reforça que a entidade não recomenda o uso dos medicamentos do 'kit' de Janaúba nos pacientes contaminados com a COVID-19, já que não existe comprovação científica da eficiência de tais drogas no tratamento do coronavírus, entre eles a hidroxicloroquina.

"A questão é a seguinte: tudo é empírico. Não tem nenhuma medicação que tenha se provado em qualquer estudo ser efetivo (o medicamento para o tratamento da COVID-19), a não ser a cloroquina em alguns estudos muito mal feitos - , que teve alguma vantagem na fase inicial. Por este fato, de ter alguma abertura na ciência, ela poderia ser usada sob estrito controle médico e idealmente sob protocolo de pesquisa, com termo de consentimento assinado pelo paciente, exatamente para haver as garantias de que ele assuma eventuais efeitos colaterais", diz o Estêvão.

Ele disse que só faz restrições à prescrição de corticoide, já que oferece muitos riscos aos pacientes. "O corticoide é absolutamente arriscadoperigosíssimo na primeira fase (da doença), e pode piorar o prognóstico. A pessoa pode ter uma carga viral maior e adoecer de forma muito mais grave", alerta o infectologista.

"Então, tirando o corticoide, desde que contando com o consentimento do paciente, lá no interior, se o médico quer, ele tem essa autorização do Conselho Federal de Medicina. Mas que dê por conta própria e risco. Agora, a Sociedade (Mineira de Infectologia) nunca vai recomendar nada que saia da ciência", disse Estêvâo Urbano.

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Chikungunya

 O que é chikungunya?

A Febre pelo vírus Chikungunya é um arbovírus. Arbovírus são aqueles vírus transmitidos por picadas de insetos, especialmente mosquitos, mas tambem pode ser um carrapatos ou outros. O transmissor (vetor) do chikungunya é o mosquito Aedes aegypti, que precisa de água parada para proliferar, portanto, o período do ano com maior transmissão são os meses mais chuvosos de cada região. No entanto, é importante manter a consciência e hábitos sadios de higiene para evitar possíveis focos/criadouros do mosquito Aedes Aegypti, que pode ter ovos resistindo por um ano até encontrar as condições favoráveis de proliferação (tempo quente e úmido). 

IMPORTANTE:  Todas as faixas etárias são igualmente suscetíveis ao vírus Chikungunya, porém as pessoas mais velhas têm maior risco de desenvolver a dor articular (nas juntas) crônica e outras complicações que podem levar à morte.  O risco de gravidade e morte aumenta quando a pessoa tem alguma doença crônica, como diabetes e hipertensão, mesmo tratada.

Chikungunya tem cura?

A infecção por Chikungunya começa com febre, dor de cabeça, mal estar, dores pelo corpo e muita dor nas juntas (joelhos, cotovelos, tornozelos, etc), em geral, dos dois lados, podendo também apresentar, em alguns casos, manchas vermelhas ou bolhas pelo corpo. O quadro agudo dura até 15 dias e cura espontaneamente.

Algumas pessoas podem desenvolver um quadro pós-agudo e crônico com dores nas juntas que duram meses ou anos.

Quais são os sintomas da chikungunya?

Os principais sintomas da chikungunya são:

  • Febre.
  • Dores intensas nas juntas, em geral bilaterais (joelho esquerdo e direito, pulso direito e esquerdo, etc).
  • Pele e olhos avermelhados.
  • Dores pelo corpo.
  • Dor de cabeça.
  • Náuseas e vômitos.

Cerca de 30% dos casos não chegam a desenvolver sintomas. Normalmente, os sintomas aparecem de dois a 12 dias da picada do mosquito, período conhecido como incubação.

Depois de infectada, a pessoa fica imune pelo resto da vida.

IMPORTANTE: Como toda infecção, a chikungunya pode desenvolver a Síndrome de Gulliain-Barre, encefalite e outras complicações neurológicas.


Como a chikungunya é transmitida?

Transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti. Por ter uma transmissão bastante rápida, é necessário ficar atento a possíveis criadoros do mosquiso e, assim, eliminar estes locais para evitar a propagação da doença. A Febre Chikungunya pode causar sequelas como dores crônicas nas juntas por longo período de tempo. 

A transmissão da mulher grávida para o feto só acontece quando a mãe fica doente nos últimos 7 dias (última semana) de gravidez. Neste caso, a criança mesmo que nasça saudável, deve permanecer internada por uma semana para observação e tratamento imediato se desenvolver a doença que, nestes casos, apresenta quadros graves com manifestações neurológicas e na pele.

Também existe transmissão por transfusão sanguínea.

Como é feito o tratamento da chikungunya?

O tratamento da chikungunya é feito de acordo com os sintomas, com o uso de analgésicos, antitermicos e antinflamatórios para aliviar febre e dores. Em casos de sequelas mais graves, e sob avaliação medica conforme cada caso, pode ser recomendada a fisioterapia.

Em caso de suspeita, com o surgimento de qualquer sintoma, é fundamental procurar um profissional de saúde para o correto diagnóstico e prescrição dos medicamentos, evitando sempre a auto-medicação. Os tratamentos são oferecidos de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Recomenda‐se repouso absoluto ao paciente, que deve beber líquidos em abundância.

IMPORTANTE: A automedicação pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e agravar o quadro do paciente. Somente um médico pode receitar medicamentos.

As seguintes medidas são importantes para evitar agravamento da chikungunya:

  • Não utilizar AINH (Anti-inflamatório não hormonal) na fase aguada, pelo risco de complicações associados as formas graves de chikungunya (hemorragia e insuficiência renal).
  • Não utilizar corticoide na fase de aguda da viremia, devido ao risco de complicações.
  • Não é recomendado usar o ácido acetil salicílico (AAS) devido ao risco de hemorragia.

Como é feito o diagnóstico da chikungunya?

O diagnóstico da chikungunya é clínico e feito por um médico. É confirmado com exames laboratoriais de sorologia e de biologia molecular ou com teste rápido (usado para triagem). 

A sorologia é feita pela técnica MAC ELISA, por PCR e teste rápido. Todos os exames estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS). Em caso de confirmação da doença a notificação deve ser feita ao Ministério da Saúde em até 24 horas.

Não existem vacinas contra a chikungunya. Faça a sua parte e previna-se!

Medidas de prevenção pessoal


Pessoas infectadas com o CHIKV são o reservatório de infecção para outras pessoas, tanto em casa como na comunidade. Portanto, medidas de proteção pessoal, para minimizar a exposição dos pacientes aos mosquitos, tornam-se imperativas para evitar a propagação do vírus e, consequentemente, da doença.

É importante informar a pessoa infectada e outros membros da família e da comunidade sobre os métodos para minimizar este risco, tanto por intermédio da redução da população do vetor como da possibilidade de contato entre o vetor e as pessoas. Para minimizar o contato vetor-paciente, recomenda-se:

  • a pessoa infectada repousar sob mosquiteiros impregnados ou não com inseticida;
  • o paciente e os demais membros da família devem usar mangas compridas para cobrir as extremidades;
  • utilizar repelentes contra insetos aplicados à pele ou mesmo à roupa exposta, considerando que seu uso deve estar estritamente de acordo com as instruções contidas no rótulo do produto;
  • usar telas protetoras nas portas e janelas.
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Estudo sugere que algumas pessoas que não pegaram COVID-19 podem ter anticorpos contra o vírus

25 novembro, 2020

 Um novo estudo sugere que uma pequena porção da população carrega anticorpos contra o coronavírus mesmo sem ter sido infectada. Eles teriam sido criados durante contatos anteriores com vírus relacionados que causam o resfriado comum.


Um pUm profissional de saúde em Washington D.C. segurando
 uma amostra de sangue coletada para teste de anticorpos para o
SARS-CoV-2. Foto: Win McNamee (Getty Images)

A pesquisa é a mais recente a indicar que algumas pessoas podem ter um certo grau de imunidade preexistente ao coronavírus. Mas embora seja possível que essas descobertas ajudem a explicar algumas tendências da pandemia, como o fato de crianças serem menos vulneráveis ​​a sintomas graves, ainda não está claro o quão protetora essa imunidade emprestada poderia realmente ser.

O novo estudo, publicado na Science na sexta-feira (6), testou amostras de sangue coletadas de adultos e crianças no Reino Unido em dezembro de 2019, antes do início conhecido da pandemia, bem como de pessoas que tiveram resultados negativos para SARS-CoV-2, o coronavírus responsável pelo COVID-19, no início da pandemia. Essas amostras foram comparadas com as de pessoas que testaram positivo para a doença.

Como esperado, a maioria dos casos confirmados tinha um grupo diversificado de anticorpos preparados para responder à proteína spike do vírus, usada pelo vírus para infectar células. Eles vieram de todos os três tipos de anticorpos que combatem infecções virais (IgG, IgM, IgA).

Mas em alguns pacientes não infectados, incluindo aqueles que tiveram uma infecção recente por um dos coronavírus de resfriado comum, os pesquisadores também encontraram anticorpos que pareciam reagir ao SARS-CoV-2. “Nossos resultados de vários ensaios independentes demonstraram a presença de anticorpos preexistentes que reconhecem o SARS-CoV-2 em indivíduos não infectados”, escreveram os cientistas.

Os anticorpos encontrados nas pessoas não infectadas eram claramente distintos daqueles em pacientes com COVID-19. Eram quase todos IgG, o anticorpo mais comum produzido pelo sistema imunológico. Eles também foram encontrados apenas em uma pequena porcentagem de adultos. Em amostras de 302 adultos, apenas 16 (5,26%) eram portadores desses anticorpos. No entanto, esse número era diferente no caso de crianças: os pesquisadores encontraram esses anticorpos em 21 das 48 amostras (44%) coletadas de crianças entre 1 e 16 anos.

Os autores especulam que os níveis mais elevados de anticorpos de reação cruzada observados em crianças podem ajudar a explicar por que elas parecem menos propensas a contrair COVID-19 do que a população em geral, ou por que geralmente apresentam sintomas muito menos graves. As crianças adoecem com resfriados leves o tempo todo, e eles encontraram evidências de que infecções recentes mais frequentes por outros coronavírus poderiam explicar os níveis mais elevados de anticorpos em crianças.

O estudo é aparentemente o primeiro a descobrir esses anticorpos com reatividade cruzada em pessoas. No entanto, outras pesquisas mostraram que algumas pessoas também carregam células T — outra parte crucial do sistema imunológico — emprestadas de infecções anteriores de resfriado comum que podem responder ao SARS-CoV-2. Juntos, esses estudos indicam que algumas pessoas realmente podem ter uma resposta imune preexistente ao COVID-19. Mas há razões para ser cauteloso na interpretação dos resultados.

“Ainda não sabemos nada sobre proteção, apesar de vários grupos apresentarem reatividade cruzada. A epidemiologia mostra que é improvável que a reatividade cruzada previna a infecção ou disseminação — na melhor das hipóteses, pode alterar os sintomas”, disse Kevin Ng, autor principal do estudo, doutorando e pesquisador de vírus no Instituto Francis Crick em Londres.

Há quem argumente que os estudos com células T mostram que muitas pessoas no mundo já estão protegidas da pandemia. Muitas vezes, essas pesquisas são usadas para justificar uma postura contra ações agressivas para impedir a propagação da doença viral. No entanto, os cientistas por trás da pesquisa falaram abertamente sobre essas afirmações.

Eles notaram que ainda há muita incerteza sobre como essas células T reativas cruzadas podem impactar a resposta de uma pessoa à infecção e que é improvável que essas células impeçam significativamente uma pessoa de pegar ou espalhar COVID-19 para outras pessoas. Em outras palavras, essas células T não vão nos levar à chamada imunidade de rebanho mais rápido.

Outro motivo para ser cauteloso: também é possível que ter anticorpos com reatividade cruzada possa, na verdade, aumentar o risco de doenças mais graves em alguns casos, algo que se sabe ter acontecido com o vírus SARS original.

De qualquer forma, será necessário fazer mais pesquisas para ter certeza de alguma coisa. Além de ajudar a explicar por que certos grupos de pessoas podem ser menos vulneráveis ​​ao COVID-19 de alguma forma, os pesquisadores especulam que entender os meandros dessa imunidade emprestada poderia um dia levar a melhores vacinas contra os coronavírus atuais e futuros.

“Estamos trabalhando agora para descobrir por que algumas pessoas produzem anticorpos com reatividade cruzada e outras não”, disse Ng. “Se pudermos descobrir isso, podemos usar essa informação em vacinas para estimular uma resposta imunológica que teoricamente visaria todos os coronavírus.”

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Vírus Chapare, causador de febre fatal com transmissão entre humanos. O que se sabe?

24 novembro, 2020

 Um vírus raro que causa febre hemorrágica e pode levar à morte foi transmitido entre humanos na Bolívia, no primeiro caso documentado desse tipo de transmissão.



Chapare vírus é da família dos arenavírus, que
 costumam ser transmitidos a seres humanos pelo
contato com roedores infectados 


O surto ocorreu no ano passado, na província de Caranavi, no departamento de La Paz. Dois pacientes com febre hemorrágica Chapare, doença causada pelo vírus Chapare, infectaram três profissionais de saúde (um médico residente, um médico de ambulância e um gastroenterologista). Três dos doentes morreram, entre eles dois médicos.

O Chapare faz parte da família dos arenavírus, a mesma de outros vírus que causam diferentes tipos de febre hemorrágica. Os arenavírus costumam ser transmitidos a seres humanos pelo contato direto com roedores infectados, como mordidas ou arranhões, e também pelo contato com saliva, urina ou fezes desses animais.

A confirmação de que houve transmissão de pessoa para pessoa do Chapare na Bolívia foi apresentada nesta semana durante encontro anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene.

A descoberta é fruto de colaboração entre pesquisadores do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças, agência de pesquisa em saúde pública ligada ao Departamento de Saúde dos Estados Unidos), do Centro Nacional de Doenças Tropicais da Bolívia e da Organização Pan-Americana de Saúde.

Acredita-se que a transmissão entre humanos ocorra por meio de fluidos corporais (como sangue, saliva, urina, sêmen e secreções) ou contato com objetos contaminados com fluidos corporais, inclusive durante alguns procedimentos médicos, como intubação.

"É muito provável (que a transmissão seja por meio de fluidos corporais), com base nas evidências que temos nesses casos e também em exemplos na literatura médica sobre outros arenavírus", diz à BBC News Brasil a virologista Maria Morales-Betoulle, uma das cientistas do CDC que participou da pesquisa.

Mas ela e outros cientistas ressaltam que, diante do pequeno número de casos documentados, são necessárias mais pesquisas para compreender como o vírus se propaga e causa a doença


Vírus transmitidos por fluidos corporais costumam
ser contidos com menos dificuldade do que aqueles
 transmitidos pelo ar, como o coronavírus

Diagnóstico


Enquanto a atenção mundial continua focada na pandemia de coronavírus, cientistas como Morales-Betoulle trabalham para identificar possíveis novas ameaças.

Vírus transmitidos por fluidos corporais costumam ser contidos com menos dificuldade do que aqueles transmitidos pelo ar, como o coronavírus.

Mas a descoberta de que o Chapare pode ser transmitido entre humanos abre a possibilidade de surtos maiores no futuro.

Segundo o CDC, houve outro registro da doença em 2003, também na Bolívia, na província de Chapare, no departamento de Cochabamba. Naquele caso, o paciente morreu 14 dias após o surgimento dos sintomas.

Os cientistas, porém, não descartam a possibilidade de que, no intervalo de 16 anos entre o caso inicial e os de 2019, o Chapare tenha circulado sem ter sido identificado, confundido com outras doenças.

"Como os sintomas são semelhantes aos da dengue, há a possibilidade de que tenha sido diagnosticado de maneira errada", observa Morales-Betoulle.

Entre os sintomas relatados nos casos de 2019 estavam febre, dor abdominal, vômito, sangramento das gengivas, erupções cutâneas e dor atrás dos olhos. Morales-Betoulle afirma que o primeiro paciente foi inicialmente diagnosticado com dengue.

"O primeiro infectado era um trabalhador agrícola. Ele ficou doente, foi ao hospital, recebeu diagnóstico de dengue e foi enviado de volta para casa. Como continuava a piorar, retornou ao hospital", relata a virologista.

O genro desse paciente, que trabalhava com ele na lavoura, também foi infectado.

Em áreas agrícolas, roedores silvestres infectados podem contaminar cereais armazenados. Há evidência preliminar do vírus em roedores na região do surto, mas ainda não há confirmação de que eles foram os causadores da doença.

Vírus tem esse nome por causa da região boliviana
de Chapare, conhecida também por sua produção cocaleira



Sem tratamento


Não há tratamento para a doença, e os pacientes recebem apenas cuidados para aliviar os sintomas, como fluidos intravenosos e remédio para aliviar a dor.

O CDC salienta que, devido ao pequeno número de casos documentados, as informações sobre o período de incubação (entre a exposição inicial e o desenvolvimento de sintomas) e a progressão da doença são limitadas.

Os arenavírus costumam ter período de incubação variado, de entre quatro e 21 dias.

Entre outros sintomas relatados nos casos de febre hemorrágica Chapare estão dor de cabeça, dor muscular e nas juntas, diarreia e irritabilidade.

Esses sintomas costumam ocorrer antes do sangramento, que ocorre no estágio mais avançado.

"Sabe-se pouco sobre possíveis complicações de longo prazo ou imunidade após infecção com o vírus", diz o CDC.

Morales-Betoulle destaca a importância da colaboração entre cientistas de diferentes países e organizações para a identificação dos casos. Ela observa que os pesquisadores isolaram o vírus e desenvolveram um teste para diagnosticar o Chapare.

Mas a virologista ressalta que é preciso continuar estudando o vírus para entender sua capacidade de causar surtos.

"Ainda temos muito a investigar", diz Morales-Betoulle.

  • Alessandra Corrêa
  • De Washington (EUA) 

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Estudo questiona efeito de máscara — o que não significa deixar de usá-la

19 novembro, 2020

 

Segundo pesquisa dinamarquesa, a diferença no número de infectados entre aqueles que usam a proteção e os que não usam é pouca. Mas ela é essencial no chamado controle de origem. Entenda





Um estudo feito por pesquisadores dinamarqueses
contesta a eficácia das máscaras (Foto: Unsplash)



Autoridades de saúde do mundo todo concordam que o uso de máscara de tecido ou cirúrgica é essencial para prevenir o contágio do novo coronavírus. Mas, mesmo usando o acessório, é fundamental manter os cuidados de higiene e distanciamento. Até porque ele pode não garantir 100% de proteção, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (18) na revista científica Annals of Internal Medicine.

Entre abril e junho de 2020, cientistas da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, fizeram experimentos para descobrir a eficácia do uso dessa proteção. Para isso, ele recrutaram 6024 participantes, que foram testados para ter certeza de que não estavam infectados com o Sars-CoV-2. As pessoas foram divididas em dois grupos: um que recebeu máscaras cirúrgicas e foi instruído a usá-las ao sair de casa e outro que foi orientado a não vestir o acessório em público.

Nesse período, apenas 2% da população dinamarquesa estava infectada e o distanciamento social e lavagem frequente das mãos eram comuns, mas as máscaras não. Os pesquisadores esperavam que a proteção adicional reduzisse a taxa de infecção pela metade entre os usuários. No entanto, não foi isso que aconteceu: 42 pessoas no grupo da máscara (1,8%), foram infectadas, em comparação com 53 no grupo sem máscara (2,1%). Ou seja, a diferença não foi estatisticamente significativa.

Em entrevista ao jornal The New York Times, Mette Kalager, pesquisadora do Hospital Telemark, na Noruega, e da Escola de Saúde Pública de Harvard, comentou a pesquisa. "O estudo mostrou que embora possa haver um efeito simbólico, usar uma máscara não reduz substancialmente o risco”, disse.

Entretanto, outros especialistas contestaram o estudo, uma vez que ele tem limitações. Por exemplo, as análises dependeram do relato dos participantes sobre seu comportamento — assim, não é possível saber se todos eles estavam usando a máscara corretamente. Além disso, após o governo local decretar o uso obrigatório, as estatísticas mostraram que a incidência de infecção no país foi menor do que em outros lugares.

"Não há absolutamente nenhuma dúvida de que as máscaras funcionam como controle de origem, evitando que as pessoas infectem outras", disse ao jornal norte-americano Thomas Frieden, ex-diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. “A questão que este estudo foi elaborado para responder é: eles funcionam como proteção pessoal?”. Para o especialista, a resposta depende de qual máscara é usada e do tipo de exposição ao vírus que cada pessoa tem. Nesse sentido, o estudo não revela detalhes. “Uma máscara N95 é melhor do que uma máscara cirúrgica”, disse Frieden ao New York Times. “Uma máscara cirúrgica é melhor do que a maioria das máscaras de tecido. Uma máscara de pano é melhor do que nada.”

É preciso ressaltar, ainda, a necessidade de aderir aos outros cuidados além da máscara, como higienizar sempre as mãos com água e sabão e o distanciamento social. Christine Laine, editora-chefe da Annals of Internal Medicine, afirmou que, sozinhas, as máscaras “não são mágicas”.“Há pessoas que dizem: 'Estou bem, estou usando uma máscara'. Elas precisam perceber que não são invulneráveis ​​à infecção”, declarou.


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Coronavírus

01 novembro, 2020

Coronavírus são uma família de vírus, conhecida há muito tempo, responsável por desencadear desde resfriados comuns a síndromes respiratórias graves, como é o caso da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers). A transmissão desses vírus pode ocorrer de uma pessoa para       outra por meio do contato próximo com o doente. Recentemente, um novo tipo de coronavírus foi descoberto, o 2019-nCoV, o qual tem causado mortes e também bastante preocupação.


Vale salientar que os coronavírus são vírus zoonóticos, ou seja, podem ser transmitidos entre o ser humano e outros animais. Porém, isso não ocorre com todos os coronavírus, sendo conhecidos alguns tipos que circulam apenas entre os animais.

Coronavírus é uma família de vírus que apresenta tipos
capazes de desencadear infecções respiratórias graves.
Sintomas de doenças causadas pelos coronavírus

  • Tosse;
  • Dificuldade respiratória;
  • Falta de ar;
  • Febre.
Em casos de síndromes respiratórias mais graves, podem ocorrer insuficiência renal e até mesmo  morte.

Prevenção do coronavírus

Para se prevenir de doenças causadas por coronavírus, as principais medidas são:
  • Evitar contato próximo com pessoas que apresentam infecções respiratórias;
  • Lavar bem as mãos;
  • Evitar tocar os olhos, nariz e boca sem ter higienizado as mãos;
  • Evitar compartilhamento de objetos de uso pessoal, tais como copos e talheres;
  • Evitar contato com animais doentes;
  • Cozinhar bem ovos e carne.

Síndromes respiratórias agudas graves causadas por coronavírus

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) são duas ocorrências graves causadas pelo coronavírus.
Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) foi identificada pela primeira vez na China, em 2002. Essa doença espalhou-se rapidamente e causou a morte de mais de 800 pessoas. A epidemia global da doença foi controlada em 2003. Os sintomas da Sars são febre, tosse e dificuldade respiratória, evoluindo rapidamente para insuficiência respiratória. Não há casos da doença desde 2004. Hoje se sabe que a transmissão da doença apresentava relação com gatos selvagens que continham o vírus.
A Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) foi identificada pela primeira vez na Arábia Saudita, no ano de 2012. Os sintomas são semelhantes aos de outras doenças causadas por coronavírus, ou seja, febre, tosse e falta de ar. Alguns pacientes também relataram sintomas gastrointestinais. Hoje se sabe que o vírus ligado à Mers tinha nos dromedários um importante reservatório. Esses animais eram, portanto, os transmissores da doença.

Coronavírus (2019-nCoV)

O 2019-nCoV,  identificado na China, é um novo tipo de coronavírus.

O 2019-nCoV é o coronavírus mais recentemente descoberto. Ele foi isolado no dia 7 de janeiro de 2020 e detectado primeiramente na cidade chinesa de Wuhan. Antes dessa identificação, a China já havia informado a Organização Mundial de Saúde, no dia 31 de dezembro de 2019, da ocorrência de uma pneumonia de causa desconhecida. A primeira morte ocorrida em decorrência desse novo vírus aconteceu no dia 11 de janeiro de 2020 e, até o dia 24 de janeiro, já haviam sido contabilizadas 26 mortes e mais de 900 casos confirmados em todo o mundo.
Inicialmente, acreditou-se que a doença era transmitida apenas de animais para humanos. Entretanto, após o aumento do número de casos, descobriu-se que a transmissão poderia ocorrer também de uma pessoa para outra. Os sintomas da infecção causada pelo novo coronavírus são: febre, dificuldade respiratória, tosse e falta de ar. Os casos mais graves podem evoluir para insuficiência renal e síndrome respiratória aguda grave.

Por Vanessa Sardinha dos Santos
Professora de Biologia
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