Dengue: governo poderia reduzir impactos de epidemia

17 abril, 2013


Investimentos em infraestrutura e saneamento certamente diminuiriam o número de focos do Aedes aeypti, dizem especialistasEmbora o clima e a geografia do estado do Rio de Janeiro sejam propícios à proliferação do mosquito da dengue, os especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil acreditam que o governo do estado e as prefeituras aumentam o problema ao não investir em saneamento básico e em campanhas de conscientização. Para eles, isso faz com que a população não combata adequadamente os focos do Aedes aegypti.
De acordo com o último balanço da Secretaria do Estado de Saúde (SES), foram notificados até o momento 107.168 casos suspeitos de dengue no estado do Rio de Janeiro, com 12 mortes. Os óbitos foram nos municípios do Rio de Janeiro (5), Magé (1), Duque de Caxias (1), São João de Meriti (1), São Gonçalo (1), Petrópolis (1), Volta Redonda (1) e Itaocara (1). Dos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro, 37 estão em epidemia. Três municípios passaram a fazer parte da lista neste último balanço, enquanto outros dez deixaram o estágio de epidemia.  A SES esclarece que os dados são enviados pelos próprios municípios.
Ainda de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, se já foram registrados 107.168 casos em 2013, no mesmo período de 2012  havia 77.414 - um aumento de 38,4% em relação ao ano anterior. No entanto, houve 20 mortes neste período de 2012. 
Para o pesquisador Rafael Freitas, ematologista do Instituto Oswaldo Cruz, os problemas de saneamento básico em todo o estado do Rio agravam bastante o impacto da dengue sobre a população. Segundo o Atlas do Saneamento do IBGE, mais de 15% do estado do Rio não tem cobertura de água:
"Em comunidades carentes e nos subúrbios há dificuldade no abastecimento de água, que não acontece 24h por dia. Por isso, a população é obrigada a armazená-la em baldes ou tonéis. Esses recipientes na maioria das vezes não são tampados adequadamente e tornam-se grandes focos para o mosquito. Essa é uma realidade ainda mais grave na Baixada Fluminense e no interior do estado. Investimentos em infraestrutura e saneamento certamente diminuiriam o número de focos do Aedes aeypti e, consequentemente, a quantidade de casos de dengue e também as mortes pela doença", analisa.
Calcanhar de Aquiles
Já o agrônomo Rogerio Catharino, diretor administrativo da Associação Brasileira de Controle de Vetores e Pragas (ABCVP), elege a falta de campanhas de conscientização da população como grande calcanhar de Aquiles das políticas públicas de combate à dengue no estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, falta criatividade e dedicação das prefeituras e do governo do estado em relação ao assunto:
 "O papel do poder público é massificar o máximo possível as informações de combate à dengue para toda a população. Entendemos quando dizem que não há agentes o bastante para visitar todas as casas pelo menos duas vezes por mês. Mas se não dá para fazer isso, por que não fazem ações nas associações de moradores, por exemplo? É preciso ter criatividade e colocar essa informação em campanhas no rádio e TV, em peças teatrais e em uma série de outras iniciativas", critica.
Catharino também destaca o papel das redes municipais e estadual de ensino. Embora a educação para o combate à dengue já seja um conteúdo em muitas escolas, é preciso que o tema seja trabalhado ainda mais intensamente. Para ele, isso tem um impacto não só futuro, mas também imediato, na medida em que as crianças transferem esses ensinamentos para seus familiares:
"No interior do estado, muitas pessoas moram em áreas de difícil acesso, onde o agente de saúde e o fumacê nunca vão chegar. Se esses ensinamentos não chegam através dos meios de comunicação, porque o acesso a eles em determinados lugares também é limitado, tem que chegar através da escola, que é algo universal. As campanhas nas escolas são essenciais para doutrinar os adultos do futuro, para que eles não deixem condições para o mosquito se reproduzir em suas casas. Sem isso, nenhum esforço será efetivo", conclui.
A Secretaria do Estado de Saúde afirma que a responsabilidade nesse tipo de trabalho é compartilhada com os governos municipais, mas informa que faz diversas campanhas informativas para a população e para os médicos que atendem a rede pública de saúde. Destaca a ação "10 Minutos Contra a Dengue", na qual a população é convencida a dispor de 10 minutos por semana para acabar com focos de dengue em suas residências, tempo considerado suficiente pelos pesquisadores da área. Também cita a criação do "Monitora Dengue", no qual agentes de saúde, através de smartphones, comunicam em tempo real a existência de focos do mosquito nas localidades onde atuam. No total, foram investidos R$ 5,5 milhões em todos os programas de prevenção em âmbito estadual.
Jornal do Brasil


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