Estudo sugere que algumas pessoas que não pegaram COVID-19 podem ter anticorpos contra o vírus

25 novembro, 2020

 Um novo estudo sugere que uma pequena porção da população carrega anticorpos contra o coronavírus mesmo sem ter sido infectada. Eles teriam sido criados durante contatos anteriores com vírus relacionados que causam o resfriado comum.


Um pUm profissional de saúde em Washington D.C. segurando
 uma amostra de sangue coletada para teste de anticorpos para o
SARS-CoV-2. Foto: Win McNamee (Getty Images)

A pesquisa é a mais recente a indicar que algumas pessoas podem ter um certo grau de imunidade preexistente ao coronavírus. Mas embora seja possível que essas descobertas ajudem a explicar algumas tendências da pandemia, como o fato de crianças serem menos vulneráveis ​​a sintomas graves, ainda não está claro o quão protetora essa imunidade emprestada poderia realmente ser.

O novo estudo, publicado na Science na sexta-feira (6), testou amostras de sangue coletadas de adultos e crianças no Reino Unido em dezembro de 2019, antes do início conhecido da pandemia, bem como de pessoas que tiveram resultados negativos para SARS-CoV-2, o coronavírus responsável pelo COVID-19, no início da pandemia. Essas amostras foram comparadas com as de pessoas que testaram positivo para a doença.

Como esperado, a maioria dos casos confirmados tinha um grupo diversificado de anticorpos preparados para responder à proteína spike do vírus, usada pelo vírus para infectar células. Eles vieram de todos os três tipos de anticorpos que combatem infecções virais (IgG, IgM, IgA).

Mas em alguns pacientes não infectados, incluindo aqueles que tiveram uma infecção recente por um dos coronavírus de resfriado comum, os pesquisadores também encontraram anticorpos que pareciam reagir ao SARS-CoV-2. “Nossos resultados de vários ensaios independentes demonstraram a presença de anticorpos preexistentes que reconhecem o SARS-CoV-2 em indivíduos não infectados”, escreveram os cientistas.

Os anticorpos encontrados nas pessoas não infectadas eram claramente distintos daqueles em pacientes com COVID-19. Eram quase todos IgG, o anticorpo mais comum produzido pelo sistema imunológico. Eles também foram encontrados apenas em uma pequena porcentagem de adultos. Em amostras de 302 adultos, apenas 16 (5,26%) eram portadores desses anticorpos. No entanto, esse número era diferente no caso de crianças: os pesquisadores encontraram esses anticorpos em 21 das 48 amostras (44%) coletadas de crianças entre 1 e 16 anos.

Os autores especulam que os níveis mais elevados de anticorpos de reação cruzada observados em crianças podem ajudar a explicar por que elas parecem menos propensas a contrair COVID-19 do que a população em geral, ou por que geralmente apresentam sintomas muito menos graves. As crianças adoecem com resfriados leves o tempo todo, e eles encontraram evidências de que infecções recentes mais frequentes por outros coronavírus poderiam explicar os níveis mais elevados de anticorpos em crianças.

O estudo é aparentemente o primeiro a descobrir esses anticorpos com reatividade cruzada em pessoas. No entanto, outras pesquisas mostraram que algumas pessoas também carregam células T — outra parte crucial do sistema imunológico — emprestadas de infecções anteriores de resfriado comum que podem responder ao SARS-CoV-2. Juntos, esses estudos indicam que algumas pessoas realmente podem ter uma resposta imune preexistente ao COVID-19. Mas há razões para ser cauteloso na interpretação dos resultados.

“Ainda não sabemos nada sobre proteção, apesar de vários grupos apresentarem reatividade cruzada. A epidemiologia mostra que é improvável que a reatividade cruzada previna a infecção ou disseminação — na melhor das hipóteses, pode alterar os sintomas”, disse Kevin Ng, autor principal do estudo, doutorando e pesquisador de vírus no Instituto Francis Crick em Londres.

Há quem argumente que os estudos com células T mostram que muitas pessoas no mundo já estão protegidas da pandemia. Muitas vezes, essas pesquisas são usadas para justificar uma postura contra ações agressivas para impedir a propagação da doença viral. No entanto, os cientistas por trás da pesquisa falaram abertamente sobre essas afirmações.

Eles notaram que ainda há muita incerteza sobre como essas células T reativas cruzadas podem impactar a resposta de uma pessoa à infecção e que é improvável que essas células impeçam significativamente uma pessoa de pegar ou espalhar COVID-19 para outras pessoas. Em outras palavras, essas células T não vão nos levar à chamada imunidade de rebanho mais rápido.

Outro motivo para ser cauteloso: também é possível que ter anticorpos com reatividade cruzada possa, na verdade, aumentar o risco de doenças mais graves em alguns casos, algo que se sabe ter acontecido com o vírus SARS original.

De qualquer forma, será necessário fazer mais pesquisas para ter certeza de alguma coisa. Além de ajudar a explicar por que certos grupos de pessoas podem ser menos vulneráveis ​​ao COVID-19 de alguma forma, os pesquisadores especulam que entender os meandros dessa imunidade emprestada poderia um dia levar a melhores vacinas contra os coronavírus atuais e futuros.

“Estamos trabalhando agora para descobrir por que algumas pessoas produzem anticorpos com reatividade cruzada e outras não”, disse Ng. “Se pudermos descobrir isso, podemos usar essa informação em vacinas para estimular uma resposta imunológica que teoricamente visaria todos os coronavírus.”

por


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Vírus Chapare, causador de febre fatal com transmissão entre humanos. O que se sabe?

24 novembro, 2020

 Um vírus raro que causa febre hemorrágica e pode levar à morte foi transmitido entre humanos na Bolívia, no primeiro caso documentado desse tipo de transmissão.



Chapare vírus é da família dos arenavírus, que
 costumam ser transmitidos a seres humanos pelo
contato com roedores infectados 


O surto ocorreu no ano passado, na província de Caranavi, no departamento de La Paz. Dois pacientes com febre hemorrágica Chapare, doença causada pelo vírus Chapare, infectaram três profissionais de saúde (um médico residente, um médico de ambulância e um gastroenterologista). Três dos doentes morreram, entre eles dois médicos.

O Chapare faz parte da família dos arenavírus, a mesma de outros vírus que causam diferentes tipos de febre hemorrágica. Os arenavírus costumam ser transmitidos a seres humanos pelo contato direto com roedores infectados, como mordidas ou arranhões, e também pelo contato com saliva, urina ou fezes desses animais.

A confirmação de que houve transmissão de pessoa para pessoa do Chapare na Bolívia foi apresentada nesta semana durante encontro anual da Sociedade Americana de Medicina Tropical e Higiene.

A descoberta é fruto de colaboração entre pesquisadores do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças, agência de pesquisa em saúde pública ligada ao Departamento de Saúde dos Estados Unidos), do Centro Nacional de Doenças Tropicais da Bolívia e da Organização Pan-Americana de Saúde.

Acredita-se que a transmissão entre humanos ocorra por meio de fluidos corporais (como sangue, saliva, urina, sêmen e secreções) ou contato com objetos contaminados com fluidos corporais, inclusive durante alguns procedimentos médicos, como intubação.

"É muito provável (que a transmissão seja por meio de fluidos corporais), com base nas evidências que temos nesses casos e também em exemplos na literatura médica sobre outros arenavírus", diz à BBC News Brasil a virologista Maria Morales-Betoulle, uma das cientistas do CDC que participou da pesquisa.

Mas ela e outros cientistas ressaltam que, diante do pequeno número de casos documentados, são necessárias mais pesquisas para compreender como o vírus se propaga e causa a doença


Vírus transmitidos por fluidos corporais costumam
ser contidos com menos dificuldade do que aqueles
 transmitidos pelo ar, como o coronavírus

Diagnóstico


Enquanto a atenção mundial continua focada na pandemia de coronavírus, cientistas como Morales-Betoulle trabalham para identificar possíveis novas ameaças.

Vírus transmitidos por fluidos corporais costumam ser contidos com menos dificuldade do que aqueles transmitidos pelo ar, como o coronavírus.

Mas a descoberta de que o Chapare pode ser transmitido entre humanos abre a possibilidade de surtos maiores no futuro.

Segundo o CDC, houve outro registro da doença em 2003, também na Bolívia, na província de Chapare, no departamento de Cochabamba. Naquele caso, o paciente morreu 14 dias após o surgimento dos sintomas.

Os cientistas, porém, não descartam a possibilidade de que, no intervalo de 16 anos entre o caso inicial e os de 2019, o Chapare tenha circulado sem ter sido identificado, confundido com outras doenças.

"Como os sintomas são semelhantes aos da dengue, há a possibilidade de que tenha sido diagnosticado de maneira errada", observa Morales-Betoulle.

Entre os sintomas relatados nos casos de 2019 estavam febre, dor abdominal, vômito, sangramento das gengivas, erupções cutâneas e dor atrás dos olhos. Morales-Betoulle afirma que o primeiro paciente foi inicialmente diagnosticado com dengue.

"O primeiro infectado era um trabalhador agrícola. Ele ficou doente, foi ao hospital, recebeu diagnóstico de dengue e foi enviado de volta para casa. Como continuava a piorar, retornou ao hospital", relata a virologista.

O genro desse paciente, que trabalhava com ele na lavoura, também foi infectado.

Em áreas agrícolas, roedores silvestres infectados podem contaminar cereais armazenados. Há evidência preliminar do vírus em roedores na região do surto, mas ainda não há confirmação de que eles foram os causadores da doença.

Vírus tem esse nome por causa da região boliviana
de Chapare, conhecida também por sua produção cocaleira



Sem tratamento


Não há tratamento para a doença, e os pacientes recebem apenas cuidados para aliviar os sintomas, como fluidos intravenosos e remédio para aliviar a dor.

O CDC salienta que, devido ao pequeno número de casos documentados, as informações sobre o período de incubação (entre a exposição inicial e o desenvolvimento de sintomas) e a progressão da doença são limitadas.

Os arenavírus costumam ter período de incubação variado, de entre quatro e 21 dias.

Entre outros sintomas relatados nos casos de febre hemorrágica Chapare estão dor de cabeça, dor muscular e nas juntas, diarreia e irritabilidade.

Esses sintomas costumam ocorrer antes do sangramento, que ocorre no estágio mais avançado.

"Sabe-se pouco sobre possíveis complicações de longo prazo ou imunidade após infecção com o vírus", diz o CDC.

Morales-Betoulle destaca a importância da colaboração entre cientistas de diferentes países e organizações para a identificação dos casos. Ela observa que os pesquisadores isolaram o vírus e desenvolveram um teste para diagnosticar o Chapare.

Mas a virologista ressalta que é preciso continuar estudando o vírus para entender sua capacidade de causar surtos.

"Ainda temos muito a investigar", diz Morales-Betoulle.

  • Alessandra Corrêa
  • De Washington (EUA) 

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Estudo questiona efeito de máscara — o que não significa deixar de usá-la

19 novembro, 2020

 

Segundo pesquisa dinamarquesa, a diferença no número de infectados entre aqueles que usam a proteção e os que não usam é pouca. Mas ela é essencial no chamado controle de origem. Entenda





Um estudo feito por pesquisadores dinamarqueses
contesta a eficácia das máscaras (Foto: Unsplash)



Autoridades de saúde do mundo todo concordam que o uso de máscara de tecido ou cirúrgica é essencial para prevenir o contágio do novo coronavírus. Mas, mesmo usando o acessório, é fundamental manter os cuidados de higiene e distanciamento. Até porque ele pode não garantir 100% de proteção, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira (18) na revista científica Annals of Internal Medicine.

Entre abril e junho de 2020, cientistas da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, fizeram experimentos para descobrir a eficácia do uso dessa proteção. Para isso, ele recrutaram 6024 participantes, que foram testados para ter certeza de que não estavam infectados com o Sars-CoV-2. As pessoas foram divididas em dois grupos: um que recebeu máscaras cirúrgicas e foi instruído a usá-las ao sair de casa e outro que foi orientado a não vestir o acessório em público.

Nesse período, apenas 2% da população dinamarquesa estava infectada e o distanciamento social e lavagem frequente das mãos eram comuns, mas as máscaras não. Os pesquisadores esperavam que a proteção adicional reduzisse a taxa de infecção pela metade entre os usuários. No entanto, não foi isso que aconteceu: 42 pessoas no grupo da máscara (1,8%), foram infectadas, em comparação com 53 no grupo sem máscara (2,1%). Ou seja, a diferença não foi estatisticamente significativa.

Em entrevista ao jornal The New York Times, Mette Kalager, pesquisadora do Hospital Telemark, na Noruega, e da Escola de Saúde Pública de Harvard, comentou a pesquisa. "O estudo mostrou que embora possa haver um efeito simbólico, usar uma máscara não reduz substancialmente o risco”, disse.

Entretanto, outros especialistas contestaram o estudo, uma vez que ele tem limitações. Por exemplo, as análises dependeram do relato dos participantes sobre seu comportamento — assim, não é possível saber se todos eles estavam usando a máscara corretamente. Além disso, após o governo local decretar o uso obrigatório, as estatísticas mostraram que a incidência de infecção no país foi menor do que em outros lugares.

"Não há absolutamente nenhuma dúvida de que as máscaras funcionam como controle de origem, evitando que as pessoas infectem outras", disse ao jornal norte-americano Thomas Frieden, ex-diretor do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. “A questão que este estudo foi elaborado para responder é: eles funcionam como proteção pessoal?”. Para o especialista, a resposta depende de qual máscara é usada e do tipo de exposição ao vírus que cada pessoa tem. Nesse sentido, o estudo não revela detalhes. “Uma máscara N95 é melhor do que uma máscara cirúrgica”, disse Frieden ao New York Times. “Uma máscara cirúrgica é melhor do que a maioria das máscaras de tecido. Uma máscara de pano é melhor do que nada.”

É preciso ressaltar, ainda, a necessidade de aderir aos outros cuidados além da máscara, como higienizar sempre as mãos com água e sabão e o distanciamento social. Christine Laine, editora-chefe da Annals of Internal Medicine, afirmou que, sozinhas, as máscaras “não são mágicas”.“Há pessoas que dizem: 'Estou bem, estou usando uma máscara'. Elas precisam perceber que não são invulneráveis ​​à infecção”, declarou.


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Coronavírus

01 novembro, 2020

Coronavírus são uma família de vírus, conhecida há muito tempo, responsável por desencadear desde resfriados comuns a síndromes respiratórias graves, como é o caso da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers). A transmissão desses vírus pode ocorrer de uma pessoa para       outra por meio do contato próximo com o doente. Recentemente, um novo tipo de coronavírus foi descoberto, o 2019-nCoV, o qual tem causado mortes e também bastante preocupação.


Vale salientar que os coronavírus são vírus zoonóticos, ou seja, podem ser transmitidos entre o ser humano e outros animais. Porém, isso não ocorre com todos os coronavírus, sendo conhecidos alguns tipos que circulam apenas entre os animais.

Coronavírus é uma família de vírus que apresenta tipos
capazes de desencadear infecções respiratórias graves.
→ Sintomas de doenças causadas pelos coronavírus

  • Tosse;
  • Dificuldade respiratória;
  • Falta de ar;
  • Febre.
Em casos de síndromes respiratórias mais graves, podem ocorrer insuficiência renal e até mesmo  morte.

→ Prevenção do coronavírus

Para se prevenir de doenças causadas por coronavírus, as principais medidas são:
  • Evitar contato próximo com pessoas que apresentam infecções respiratórias;
  • Lavar bem as mãos;
  • Evitar tocar os olhos, nariz e boca sem ter higienizado as mãos;
  • Evitar compartilhamento de objetos de uso pessoal, tais como copos e talheres;
  • Evitar contato com animais doentes;
  • Cozinhar bem ovos e carne.

→ Síndromes respiratórias agudas graves causadas por coronavírus

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) são duas ocorrências graves causadas pelo coronavírus.
A Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars) foi identificada pela primeira vez na China, em 2002. Essa doença espalhou-se rapidamente e causou a morte de mais de 800 pessoas. A epidemia global da doença foi controlada em 2003. Os sintomas da Sars são febre, tosse e dificuldade respiratória, evoluindo rapidamente para insuficiência respiratória. Não há casos da doença desde 2004. Hoje se sabe que a transmissão da doença apresentava relação com gatos selvagens que continham o vírus.
A Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers) foi identificada pela primeira vez na Arábia Saudita, no ano de 2012. Os sintomas são semelhantes aos de outras doenças causadas por coronavírus, ou seja, febre, tosse e falta de ar. Alguns pacientes também relataram sintomas gastrointestinais. Hoje se sabe que o vírus ligado à Mers tinha nos dromedários um importante reservatório. Esses animais eram, portanto, os transmissores da doença.

→ Coronavírus (2019-nCoV)

O 2019-nCoV,  identificado na China, é um novo tipo de coronavírus.

O 2019-nCoV é o coronavírus mais recentemente descoberto. Ele foi isolado no dia 7 de janeiro de 2020 e detectado primeiramente na cidade chinesa de Wuhan. Antes dessa identificação, a China já havia informado a Organização Mundial de Saúde, no dia 31 de dezembro de 2019, da ocorrência de uma pneumonia de causa desconhecida. A primeira morte ocorrida em decorrência desse novo vírus aconteceu no dia 11 de janeiro de 2020 e, até o dia 24 de janeiro, já haviam sido contabilizadas 26 mortes e mais de 900 casos confirmados em todo o mundo.
Inicialmente, acreditou-se que a doença era transmitida apenas de animais para humanos. Entretanto, após o aumento do número de casos, descobriu-se que a transmissão poderia ocorrer também de uma pessoa para outra. Os sintomas da infecção causada pelo novo coronavírus são: febre, dificuldade respiratória, tosse e falta de ar. Os casos mais graves podem evoluir para insuficiência renal e síndrome respiratória aguda grave.

Por Vanessa Sardinha dos Santos
Professora de Biologia
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Febre Amarela

06 outubro, 2020

A febre amarela, também denominada barbarose, trata-se de uma desordem infecciosa, que tem como agente etiológico um flavivírus, transmitido por um mosquito contaminado. É mais comum em áreas silvestres e rurais, embora também possa estar presente em áreas silvestres. O principal transmissor do vírus causador da febre amarela em áreas silvestres é o mosquito do gênero Haemagogus, enquanto que na área urbana, o principal transmissor é o mosquito do gênero Aedes, tanto o Aedes aegypti, quanto o Aedes albopictus.

Mosquito Aedes aegypti. Foto:
 mrfiza / Shutterstock.com
Os reservatórios naturais deste vírus são os primatas não-humanos, que habitam as florestas tropicais, como as da América Central, América do Sul e África. Quando indivíduos que nunca foram imunizados, por vacina ou por contrair a doença anteriormente, circulam em áreas de florestas endêmicas e recebem uma picada de um mosquito contaminado pelo flavivírus, acabam levando a doença para outros locais.
O período de incubação do vírus da febre amarela varia de 3 a 7 dias após a transmissão do mesmo pelo mosquito contaminado. As manifestações clínicas iniciais abrangem febre, cansaço, mal-estar, cefaleia e dores musculares, especialmente na região lombar e abdominal. O quadro clássico de febre amarela caracteriza-se por febre moderadamente elevada, náuseas, bradicardia, prostração e hematemese. Também pode haver diarreia. A maior parte dos casos é assintomática, manifestando-se como uma infecção subclínica; todavia, esta doença pode apresentar-se de forma grave, podendo, até mesmo, levar à morte.
Após a diminuição da febre, alguns pacientes podem desenvolver sintomas mais graves, como febre alta, diarreia fétida, convulsões e delírio, hemorragias internas e coagulação intravascular disseminada, com danos de enfarte em diversos órgãos. A hemorragia manifesta-se como equimoses, sangramentos nasais e gengivais, também podem ocorrer choque, resultando em morte, devido às hemorragias profusas. Hepatite pode surgir, por vezes, resultando em icterícia, o que confere a cor amarelada a pele, o que denominou a doença. Insuficiência renal e hepática são complicações que podem estar presentes na febre amarela.
Uma vez que a febre amarela apresenta quadro clínico similar a outras desordens, como a dengue e a malária, o diagnóstico exato é imprescindível e deve ser confirmado por meio de exames laboratoriais específicos.
Não há medicamentos específicos para combater o vírus que causa a febre amarela. O tratamento envolve suporte hospitalar, com hidratação e uso de antieméticos que não contenham ácido acetilsalicílico, para evitar a evolução severa da doença. Em casos mais graves, pode se fazer necessário realizar transfusão sanguínea e diálise.
A melhor forma de prevenir a febre amarela é por meio da vacina, que deve ser renovada a cada 10 anos. A vacinação é indicada, principalmente, para indivíduos que vão para áreas endêmicas, 10 dias antes da viagem para que haja tempo do organismo produzir anticorpos contra o vírus.

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Conjuntivite: sintomas, tratamentos e causas

01 outubro, 2020

O que é Conjuntivite?

A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, membrana transparente e fina que reveste a parte da frente do globo ocular (o branco dos olhos) e o interior das pálpebras. Em geral, a conjuntivite ataca os dois olhos, pode durar de uma semana a 15 dias e não costuma deixar sequelas. A conjuntivite pode ser aguda ou crônica, afetar um dos olhos ou os dois (1).
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Após sete meses de atraso, Sec. de Sáude do Recife confirma surto de Conjutivite.

16 maio, 2018

O que é Conjuntivite?

A conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, membrana transparente e fina que reveste a parte da frente do globo ocular (o branco dos olhos) e o interior das pálpebras. Em geral, a conjuntivite ataca os dois olhos, pode durar de uma semana a 15 dias e não costuma deixar sequelas. A conjuntivite pode ser aguda ou crônica, afetar um dos olhos ou os dois.

Tipos

A conjuntivite pode ser dividida em três tipos:

Infecciosa

A conjuntivite infecciosa é o tipo mais comum. Essa categoria de conjuntivite é contagiosa, ou seja, é possível passar para outras pessoas pelo ar ou contato com o local. Ela pode acometer um ou os dois olhos e, normalmente, apresenta lacrimejamento, sensação de areia nos olhos, secreção (clara ou amarelada) e hiperemia (olhos vermelhos) (2). A conjuntivite infecciosa pode ser divida em outros tipos:
Conjuntivite viral: A conjuntivite viral é o tipo mais comum, ela é transmitida por um vírus conhecido como adenovírus. Diferente do que muitos pensam, esse tipo de conjuntivite não é transmitido pelo ar, mas sim pelo contato com as secreções oculares e também através de tosse e espirro do paciente infectado. (3)
Conjuntivite bacteriana: A conjuntivite bacteriana não é tão comum quanto a viral, porém ela pode ser mais perigosa. Ela é transmitida através do contato pessoal com a bactéria. Portanto, se a pessoa encostar nos olhos ou em algum local contaminado ela será infectada.
Conjuntivite fúngica: A conjuntivite fúngica é a mais rara entre todos os tipos. Ela ocorre quando uma pessoa machuca os olhos com madeira. Por ser muito difícil de tratar, a conjuntivite fúngica pode causar complicações na visão.

Alérgica

A conjuntivite alérgica é decorrente de alergia, principalmente por ácaro e pólen. Essas se manifestam com olhos vermelhos e coceira ocular e não são contagiosas.
Há quatro formas de conjuntivite alérgica:
  • Sazonal, geralmente associada à rinite ou asma, que é a mais comum
  • Ceratoconjuntivite atópica, que é associada à dermatite atópica
  • Conjuntivite primaveril
  • Conjuntivite papilar gigante, associada comumente ao uso de lentes de contato.

Tóxica

A conjuntivite tóxica ocorre quando os olhos entram em contato direto com algum produto químico, como produtos de limpeza, shampoos, venenos agrícolas ou inseticida. Esse tipo de conjuntivite também é bastante raro, porém muito perigoso. Quando não tratado da forma correta pode trazer complicações para visão.

Como diferenciar os tipos de conjuntivite?

Os sintomas entre os tipos de conjuntivite são muito semelhantes, portanto, a melhor forma de diferenciar a conjuntivite é através da forma de contágio. Além disso, é essencial procurar um especialista, para que ele possa indicar o tratamento específico, quando antes o tratamento for iniciado menores serão as chances de complicações.

Sintomas de Conjuntivite

A característica mais marcante da conjuntivite é a vermelhidão nos olhos. Além disso, ela pode apresentar outros sinais como (4):
  • Vermelhidão nos olhos
  • Olhos lacrimejantes
  • Pálpebras inchadas
  • Secreção purulenta (conjuntivite bacteriana)
  • Sensação de areia ou de ciscos nos olhos
  • Secreção esbranquiçada (conjuntivite viral)
  • Coceira
  • Fotofobia (dor ao olhar para a luz)
  • Visão borrada
  • Pálpebras grudadas quando a pessoa acorda

Causas

A conjuntivite pode ser causada por reações alérgicas a poluentes ou substâncias irritantes (poluição, fumaça, cloro de piscinas, produtos de limpeza ou de maquiagem, etc.). A mais comum delas é a conjuntivite primaveril ou febre do feno, geralmente causada por pólen espalhado no ar.
A conjuntivite pode ser causada, também, por vírus e bactérias. Nestes casos, a conjuntivite é contagiosa e pode ser transmitida pelo contato direto com as mãos, com a secreção ou com objetos contaminados.

Fatores de risco

O fator de risco mais comum é colocar as mãos sujas e/ou contaminadas nos olhos.
Além disso, existem doenças que podem predispor o indivíduo à conjuntivite, como herpes, doenças autoimunes ou virais.
Por fim, a baixa imunidade também pode favorecer no surgimento da conjuntivite.
Outros fatores de risco são:
  • Exposição a algo para o qual você é alérgico (conjuntivite alérgica)
  • Exposição a alguém infectado com a forma viral ou bacteriana da conjuntivite
  • Usando lentes de contato, especialmente uso prolonga

Tratamento de Conjuntivite

O tratamento da conjuntivite é determinado pelo agente causador da doença.
- Conjuntivite viral: não existem medicamentos específicos e o tratamento foca nos sintomas.
- Conjuntivite bacteriana: o tratamento inclui a indicação de colírios antibióticos, que devem ser prescritos por um médico, pois alguns colírios são altamente contra-indicados, porque podem provocar sérias complicações e agravar o quadro.
- Conjuntivite alérgica: Em qualquer quadro alérgico, ocular ou não, o primeiro passo é orientar o paciente que a doença é crônica, recorrente, e deve-se tomar algumas medidas para diminuir a intensidade e a frequência das crises, como:
  • Coceira nos olhos
  • Evitar o acúmulo de pó, em cortinas, carpetes, bichos de pelúcia
  • Varrer a casa com auxílio de pano úmido, para não levantar a poeira, entre outras medidas preventivas
  • Não coçar o olho é mandatório
  • Fazer compressas geladas que aliviam muito os sintomas alérgicos.
Cuidados especiais com a higiene ajudam a controlar o contágio e a evolução da conjuntivite. Qualquer que seja o caso, porém, é fundamental lavar os olhos e fazer compressas com água gelada, que deve ser filtrada e fervida, ou com soro fisiológico comprado em farmácias ou distribuído nos postos de saúde.

Medicamentos para Conjuntivite

Somente um médico pode dizer qual o medicamento mais indicado para o seu caso, bem como a dosagem correta e a duração do tratamento. Siga sempre à risca as orientações do seu médico e NUNCA se automedique. Não interrompa o uso do medicamento sem consultar um médico antes e, se tomá-lo mais de uma vez ou em quantidades muito maiores do que a prescrita, siga as instruções na bula
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GRIPE H1N1 OU GRIPE A ?

14 maio, 2018

A gripe A, também chamada de H1N1, é uma virose, ou seja, uma doença causada por um vírus. Ela é similar a outros tipos de gripe, mas possui maiores chances de complicações, podendo até mesmo causar morte.

→ Vírus causador da gripe H1N1
A gripe é causada por um vírus conhecido como Influenza, que pertence à família dos ortomixovírus. Esses vírus dividem-se em três tipos: A, B e C, sendo o tipo A o mais patogênico e o mais associado a epidemias e pandemias. O vírus causador da gripe H1N1 é um vírus Influenza A que contém genes do vírus humano, suíno e aviário e é denominado de Influenza A/H1N1.
→ Transmissão da H1N1
A gripe H1N1 pode ser transmitida de pessoa para pessoa por meio de pequenas gotículas de saliva eliminadas por pessoas contaminadas ao tossir ou espirrar. A transmissão pode ocorrer ainda por contato com objetos que possuam secreção do doente.
→ Sinais e sintomas da H1N1
Assim como outros tipos de gripe, a H1N1 causa dores no corpo, na cabeça e na garganta, febre – que dura em média três dias –, mal-estar, calafrios e tosse seca. Esse tipo de gripe, no entanto, pode desencadear outras complicações, como pneumonia, sinusite, otite e até mesmo complicações cardíacas. Quando o quadro se complica, o paciente apresenta dores no peito, falta de ar, tontura, fraqueza e confusão mental.
→ Tratamento da H1N1
A gripe H1N1 é tratada por meio de medicamentos para alívio dos sintomas e combate ao vírus. Assim como outras viroses, recomenda-se repouso e o consumo de líquidos. De uma maneira geral, a gripe A possui cura espontânea.
Em casos mais graves da doença, em que existe risco de complicação, pode ser recomendado o uso de antivirais. Um desses medicamentos é o oseltamivir, também chamado comercialmente de Tamiflu.
→ Prevenção contra a H1N1
A gripe H1N1 pode ser prevenida, principalmente, por vacinação, que é feita gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Vale ressaltar que as vacinas podem ser encontradas também em clínicas particulares. A vacina distribuída pelo governo é trivalente, protegendo contra influenza A H1N1, influenza A H3N2 e uma cepa (linhagem) de influenza B.
No caso da vacinação gratuita, apenas alguns grupos, considerados prioritários, possuem direito à vacina. Esse grupo engloba crianças de seis anos a 5 anos, idosos com mais de 60 anos, jovens sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade, povos indígenas, funcionários da área da saúde e sistema prisional, grávidas e mulheres até 45 dias após o parto.
Além da vacinação, para se prevenir da H1N1, são necessárias algumas medidas importantes:
  • Sempre proteger a boca ao tossir ou espirrar;
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal;
  • Higienizar sempre as mãos, fazendo uso de água e sabão ou álcool em gel. Nesse último caso, antes de aplicá-lo, deve-se eliminar a sujeita aparente;
  • Evitar locais de grandes aglomerações de pessoas em épocas de surto da doença;
  • Evitar contato com pessoa contaminada.

Por Ma. Vanessa dos Santos
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OPAS/OMS esclarece que ‘vírus H2N3’ não circula em nenhum lugar do mundo

12 maio, 2018

13 de abril de 2018 – A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) esclarece que o suposto “vírus H2N3” não circula em nenhum lugar do mundo. O organismo internacional está preocupado com a série de boatos sobre gripe (influenza) circulando em áudios e textos em redes sociais ou aplicativos de mensagem no Brasil. 
Em um áudio, por exemplo, uma voz feminina diz que a OMS supostamente “não quer divulgar” casos confirmados de mortes por um “vírus H2N3” no estado de Goiás para “não alarmar” a população. Além disso, um texto pede que as pessoas façam gargarejos e limpem as narinas “com água morna contendo sal de cozinha” para “prevenir a proliferação do vírus da gripe”. A primeira informação é falsa e a segunda não tem base em evidências científicas. 
A medida mais eficaz para a prevenção da influenza grave e de suas complicações é a vacinação. Entre outras importantes ações preventivas estão lavar as mãos regularmente (com secagem adequada), evitar tocar nos olhos, nariz ou boca, bem como o contato próximo com pessoas doentes; autoisolamento precoce daqueles que se sentem mal, febris e apresentam outros sintomas da gripe; cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, usando tecidos e descartando-os adequadamente. 
Os vírus da influenza mudam constantemente. Por isso, a Rede Global de Vigilância de Influenza da OMS (GISN, na sigla em inglês), uma aliança de 144 Centros Nacionais de Influenza de todo o mundo, monitora os vírus que circulam em humanos. 
Do total de Centros, três ficam no Brasil. E, por meio deles, o país pôde identificar que os tipos de vírus de influenza que atualmente circulam no território brasileiro são o influenza A (H1N1pdm09), A (H3N2) e influenza B. A vacina contra a gripe que será aplicada em uma campanha do Ministério da Saúde do Brasil, na segunda quinzena deste mês, protege contra esses três tipos de vírus. 
O estado de Goiás iniciou nesta sexta-feira (13) uma campanha antecipada de vacinação contra influenza A, devido a um surto de Influenza por H1N1 no mês de março, na Vila São Cotollengo, em Trindade, na região Metropolitana de Goiânia. 
Cepas de vírus no mundo
A influenza sazonal é uma infecção respiratória aguda causada por vírus da influenza que circulam em todas as partes do mundo. Atualmente, há quatro tipos de vírus de gripe sazonal: A, B, C e D. Os vírus influenza tipo A são classificados em subtipos de acordo com as combinações de duas proteínas diferentes, a hemaglutinina (H) e a neuraminidase (N), localizadas na superfície do vírus. Os subtipos de vírus da gripe A que circulam atualmente no mundo entre seres humanos são os da influenza A (H1N1) e A (H3N2). 
O A (H1N1) também é conhecido como A (H1N1) pdm09, porque causou uma pandemia em 2009 e posteriormente substituiu o vírus da gripe sazonal A (H1N1) que havia circulado antes de 2009. Pelo que se sabe até hoje, apenas vírus influenza tipo A já causaram pandemias. 
Os vírus influenza B não são classificados em subtipos, mas podem ser divididos em duas linhagens, denominadas B/Yamagata ou B/Victoria. 
Os vírus da gripe A e B circulam e causam surtos e epidemias. Devido a esta razão, as estirpes relevantes dos vírus da gripe A e B estão incluídas nas vacinas contra a gripe sazonal. O vírus influenza C é detectado com muito menos frequência e geralmente provoca infecções leves, não apresentando implicações significativas para a saúde pública. 
Os vírus da influenza D afetam principalmente o gado e não parecem ser causa de infecção ou doença no ser humano. 
Produção de vacina
A produção da vacina contra influenza no Brasil começa a partir do mês de setembro, quando a OMS dá autorização para que os laboratórios o fabriquem. Essa medida é necessária porque todos os anos é preciso avaliar quais as cepas (tipo) do vírus que mais circularam no hemisfério sul, no ano anterior. Após essa autorização, os laboratórios levam em torno de seis meses para produzir a vacina que será disponibilizada à população.
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Mosquitos percebem quando você tenta matá-los – e lembram disso

09 março, 2018

Essa é a conclusão de cientistas da Universidade de Washington, que realizaram uma experiência com mosquitos da espécie Aedes aegypti (a mesma que, no Brasil, transmite o vírus da dengue). Os pesquisadores coletaram uma amostra de suor de uma pessoa, e a colocaram dentro de uma caixa onde os mosquitos ficavam presos. Além de servir como cadeia para os Aedes, essa caixa também tinha um “mecanismo de perturbação”: um braço mecânico que tentava estapear os insetos.
Mosquitos percebem quando você tenta matá-los – e se lembram disso

O objetivo era tentar criar uma associação, na memória dos mosquitos, entre aquele odor e uma situação de perigo (os tapas). Incrivelmente, deu certo. No dia seguinte, os mosquitos foram colocados, um a um, dentro de um labirinto que tinha duas saídas. A primeira delas levava os insetos a uma câmara neutra, sem cheiro. A segunda tinha o odor de um ser humano – que, em tese, os mosquitos deveriam preferir.
Só que não era qualquer ser humano. O cheiro era aquele mesmo que os insetos haviam sido condicionados a relacionar com perigo. Não deu outra: os mosquitos evitaram o túnel que tinha cheiro de gente. Eles adorariam picar um braço humano, claro. Mas, naquela situação, se lembraram de que aquele cheiro, pertencente a uma pessoa específica, podia ser uma ameaça.
Os cientistas fizeram uma incisão minúscula na cabeça de alguns mosquitos, e conectaram um sensor aos neurônios do sistema olfativo. Descobriram que o “aprendizado” dos bichinhos depende da dopamina, um neurotransmissor que também está presente em humanos. Os pesquisadores também criaram mosquitos geneticamente modificados, que tiveram o DNA alterado para que se tornassem parcialmente insensíveis à dopamina. Eles conseguiam voar e picar; mas eram incapazes de aprender a identificar perigos, como os mosquitos normais.
Pense nisso na próxima vez em que você tentar matar um mosquito. Ele sabe que você tentou acertá-lo, e vai se lembrar. Pelo menos por algum tempo.
Bruno Garattoni
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